terça-feira, 17 de novembro de 2015




"Já aconteceu de eu quase chorar por ter tropeçado na rua, por uma coisa à toa. É que, dependendo da dor que você traz dentro, dá mesmo vontade de aproveitar a ocasião para sentar no fio da calçada e chorar como se tivéssemos sofrido uma fratura exposta." 


(Martha Medeiros)

quinta-feira, 4 de junho de 2015

para refletir (e chorar)

Quem já perdeu um ente querido sabe: a dor da perda é algo indescritível, que muitos não conseguem transformar em palavras. Porém, Sheryl Sandberg, vice-presidente de operações do Facebook, soube muito bem realizar esse feitio, escrevendo uma linda carta em homenagem ao seu marido falecido, Dave Goldberg.
Goldberg, presidente-executivo da SurveyMonkey, morreu inesperadamente no dia 2 de maio, durante férias com a família no México. Segundo o The News York Times, a causa da morte foi um acidente do executivo na academia em que se exercitava, o que resultou em um traumatismo crâniano.
Após um mês da morte do marido, Sandberg escreveu as lições que aprendeu com seu falecimento tão repentino, relacionando a sua religião com o amor e as riquezas da vida. É um relato muito emocionante e serve de ajuda para aqueles que já passaram por tragédias como a que ela passou.

Confira abaixo uma tradução da carta: 
"Hoje é o fim do 'Sheloshim', os primeiros trinta dias de luto, para meu amado marido. O judaísmo denomina de 'Shiva' um período de intenso luto, que dura sete dias após o enterro de alguém querido. Depois do Shiva, a rotina pode voltar ao normal, mas é o fim do Sheloshim que marca a realização completa do luto por um cônjuge.
Um amigo de infância, que agora é um rabino, recentemente me disse que a oração mais poderosa que ele já leu foi: 'não me deixe morrer enquanto ainda estiver vivo'. Eu nunca teria entendido essa oração antes de perder Dave. Agora eu entendo.
Penso que, quando uma tragédia acontece, ela nos apresenta uma escolha. Você pode se render ao vazio que enche seu coração, seus pulmões, tira sua capacidade de pensar ou até mesmo de respirar. Ou você pode tentar encontrar o sentido de tudo isso. Nesses últimos trinta dias, eu fiquei perdida no vazio por muitos momentos. E eu sei que muitos momentos futuros serão consumidos do mesmo jeito por esse mesmo vazio.
Mas, quando eu posso, eu quero escolher a vida e o significado.
E é por isso que eu estou escrevendo: para marcar o fim do Sheloshim e dar de volta um pouco do que os outros têm me dado. Enquanto a experiência de doar é profundamente pessoal, a braveza daqueles que compartilharam suas próprias experiências tem me ajudado a me recolocar nos eixos. Alguns dos que abriram seus corações foram os meus amigos mais próximos. Outros foram totais desconhecidos que compartilharam sabedoria e conselhos publicamente. Então, eu estou compartilhando o que eu aprendi, na esperança de que isso ajude outro alguém. Na esperança de que exista algum sentido para esta tragédia.
Eu envelheci trinta anos nestes trinta dias. Eu estou trinta anos mais triste. Eu me sinto como se fosse trinta anos mais sábia.
Eu ganhei um entendimento bem mais profundo de o que é ser uma mãe, com a agonia que eu senti quando meus filhos gritaram e choraram, e com a conexão que minha mãe teve ao sentir meu sofrimento. Ela tem tentado preencher o vazio na minha cama, me abraçando firme toda noite enquanto eu choro até dormir.
Ela tem lutado para segurar suas próprias lágrimas em lugar das minhas. Ela tem me explicado que a angústia que eu estou sentindo é ao mesmo tempo minha e dos meus filhos, e eu entendi que ela estava certa quando eu vi a dor nos olhos dela.
Eu aprendi que eu nunca vou realmente saber o que dizer para outros que precisam de conforto. Eu acho que eu entendi tudo errado antes; eu tentei afirmar a todo mundo que eu estava bem, pensando que a esperança era a coisa mais confortável que eu poderia oferecer. Um amigo meu com câncer avançado me disse que a pior coisa que as pessoas podem dizer a ele é: "tudo vai ficar bem". Aquela voz na cabeça dele ficava gritando: "como você sabe que tudo vai ficar bem? Você não entende que posso morrer?". Eu aprendi nesse último mês que ele estava tentando me aconselhar. A real empatia é, às vezes, não insistir que tudo vai ficar bem, mas saber que provavelmente não vai.
Quando as pessoas dizem para mim "você e seus filhos irão encontrar a felicidade de novo", meu coração me diz: "sim, eu acredito nisso, mas eu sei que eu nunca mais vou sentir o prazer puro novamente". Aqueles que têm dito "você irá encontrar um 'novo normal', mas nunca será tão bom quanto antes" me confortam mais porque eu sei que eles estão falando a verdade.
Até um simples "como você está?" - na maioria das vezes, perguntado na melhor das intenções - seria melhor substituído por um "como você está hoje?". Quando me perguntam "como você está?", eu me esforço e me impeço de gritar: "meu marido morreu há um mês, como você acha que eu estou?". Quando eu escuto "como você está hoje?", eu percebo que essa pessoa sabe que o máximo que consigo fazer agora é viver cada dia.
Eu tenho aprendido sobre algumas coisas práticas que importam. Sabemos agora que o Dave morreu imediatamente, mas eu não sabia disso na ambulância. A ida até o hospital foi completamente lenta. Eu ainda odeio cada carro que não deu passagem, cada pessoa que se importava mais em chegar ao seu destino alguns minutos antes do que dar passagem para nós passarmos. Eu notei isso enquanto eu dirigia em diversas cidades e diversos países. Vamos todos sair do caminho! O pai, parceiro ou filho de alguém talvez dependa disso.
Eu tenho aprendido o quão efêmera cada coisa pode ser sentida, e talvez isso seja tudo. Que qualquer que seja o "tapete" em que você esteja, ele pode ser puxado de você sem nenhum aviso. Nos últimos trinta dias eu ouvi de várias mulheres que perderam os maridos que vários tapetes foram puxados. Algumas suportaram e lutaram sozinhas com o sofrimento emocional e a insegurança financeira. Me parece tão errado que nós abandonemos essas mulheres e suas famílias quando elas mais precisam.
Eu tenho aprendido a pedir ajuda, e tenho percebido o quanto de ajuda eu preciso. Até agora, eu tenho sido a irmã mais velha, a diretora de operações, a doadora e a organizadora. Eu não planejei isso, e quando aconteceu, eu não era capaz de fazer a maioria das coisas. Os mais próximos a mim foram os que comandaram tudo. Eles planejaram. Eles arrumaram. Eles me disseram para sentar e me lembrar de comer. E ainda fizeram muito para apoiar a mim e aos meus filhos!
Eu tenho aprendido que a resiliência pode ser aprendida. Adam Grant me ensinou três coisas que são essenciais para a resiliência e que eu posso aprender todas elas. Personalização: admitir que não é minha culpa. Ele me disse para banir a palavra "desculpa". Para dizer a mim mesma várias e várias vezes que não é minha culpa. Permanência: lembrar que eu não vou me sentir assim para sempre. Que vai ficar melhor. Infiltração: isso não vai afetar cada parte de mim. É a habilidade de permanecer saudável.
Para mim, começar essa transição de voltar para o trabalho tem sido salvadora, a chance de me sentir útil e conectada. Mas eu descobri que mesmo essas conexões mudaram. Muitos dos meus colegas de trabalho têm um olhar de medo quando se aproximam de mim. Eu descobri que eles queriam me ajudar mas não tinham certeza de como fazer isso. "Devo mencionar isso? Não devo falar disso? Se eu falar, o que diabos vou dizer?". Eu percebi que, para restabelecer a proximidade com meus colegas que sempre foram importantes para mim, eu precisava deixar eles entrarem. E isso significava ser o mais aberta e vulnerável que eu podia.
Eu disse para aqueles com quem trabalho mais que eles poderiam me fazer perguntas honestas, e eu iria responder. Também disse que tudo bem se eles quisessem falar de como eles se sentiam. Uma colega admitiu que estava dirigindo até minha casa frequentemente, em dúvida se entrava ou não. Outro disse que ficava paralisado quando eu estava por perto, preocupado que talvez dissesse a coisa errada. Falando abertamente do medo de dizer e fazer alguma coisa errada. Um dos meus desenhos favoritos de todos os tempos é um elefante na sala do telefone, escrito "isso é o elefante". Uma vez que enfrentei o elefante, nós pudemos tirar ele da sala. (Nota da tradução: a expressão em inglês "elefante na sala" significa quando uma verdade é tão óbvia que não dá para ser ignorada).
Ao mesmo tempo, há momentos em que eu não consigo deixar as pessoas entrarem. Eu fui a uma noite na escola quando as crianças mostram aos pais os desenhos nas paredes das salas de aula. Muitos dos pais, os quais também têm sido muito gentis, tentaram fazer contato ou falar algo que eles pensavam ser confortável. Eu olhava para baixo o tempo todo, para que nenhum deles me olhasse nos olhos, com medo que isso me deixasse pior. Eu espero que eles tenham entendido.
Eu tenho aprendido sobre gratidão. A verdadeira gratidão pelas coisas que eu tomava como garantidas antes, como a vida. Como alguém de coração partido, eu olhava para meus filhos todos os dias e agradecia por eles estarem vivos. Eu aprecio cada sorriso, cada abraço. Eu não vejo mais cada dia como garantido. Quando um amigo me disse que ele odiava aniversários e, por isso, não os celebrava, eu olhei para ele em meio a lágrimas: "Celebre seu aniversário, caramba! Você tem sorte de ter cada um deles". Meu próximo aniversário vai ser muito deprimente, mas estou determinada a celebrá-lo no meu coração mais do que eu jamais celebrei um aniversário antes.
Eu sou realmente agradecida aos muitos que ofereceram sua simpatia. Um colega me disse que sua esposa, quem eu nunca conheci, decidiu mostrar seu apoio indo de volta à escola para obter seu diploma, coisa que ela estava enrolando por anos para fazer. Sim! Quando as circunstâncias permitem, eu acredito, mais do que nunca, em aprender. E muitos homens, alguns que eu conheço e outros que eu sei que nunca irei conhecer, estão honrando a vida de Dave passando mais tempo com suas famílias.
Eu não consigo expressar a gratidão que eu senti à minha família e aos meus amigos que têm feito tanto para me ajudar, e continuam fazendo. Nos momentos brutais quando eu sou preenchida pelo vazio, quando os meses e anos me parecem vazios e intermináveis, só as faces deles me colocam de volta nos eixos. Minha gratidão por eles não tem fim.
Eu estava falando para um desses amigos sobre as atividades de pais e filhos que Dave não está aqui para fazer. Nós pensamos num plano para colocar ele nisso. Eu chorei para ele e disse "mas eu quero o Dave, eu quero a primeira opção". Ele colocou o braço envolta de mim e disse "a primeira opção não está disponível, então fique satisfeita com a opção B".
Dave, para honrar sua memória e colocar pra cima seus filhos como eles merecem, eu prometo fazer tudo que eu posso para me satisfazer com a opção B. E mesmo quando o 'Sheloshim' acabe, eu ainda estarei em luto pela opção A. Como Bono cantou "there is no end to grief... And there is no end to love".
Eu te amo, Dave."
(Fonte: Exame.com)

quinta-feira, 28 de maio de 2015

carta aberta para um amor impossível (iniciado em 15/12/2014)

Último dia de férias e me atrevo a remexer em lugares um tanto quanto deixados de lado, encontro este post salvo em rascunhos e, ao ler a primeira e única frase, escrita há cerca de 06 meses atrás, percebo o quanto as coisas mudam em um curto espaço de tempo.
A postagem dizia "dentre as pessoas mais improváveis, você; dentre as coisas mais improváveis, nós dois... e ainda assim, apesar de toda diferença e inicial incompatibilidade, estamos aqui".
Me senti impulsionada a dar sequência ao post, vamos lá...


Dentre as pessoas mais improváveis, você; dentre as coisas mais improváveis, nós dois... e ainda assim, apesar de toda diferença e inicial incompatibilidade, estamos aqui. 

Dentre todos os improváveis, meu amor, nos tornamos tão compatíveis que só mesmo o Universo para unir duas pessoas tão diferentes e que, em pouco tempo, passaram a completar tanto os espaços um do outro; você, todo sobrecarregado pela vida; eu, toda errada e impaciente; dois medrosos cheios de histórias para contar, que aprenderam a cuidar um do medo do outro... 
Porque o amor é isso, não é? Muito mais do que a alegria, os abraços, a cerveja, ou o chimarrão compartilhado, o amor é zelo, é entender e cuidar do medo e da dor do outro; é deixar os nossos problemas de lado, para acalmar aquele coração agoniado que pede socorro em um SMS; dividir o bem e o mal que cada um traz consigo.
E foi assim que todo o nosso improvável virou compatível; que o que nunca se quis, de repente vira tudo o que se precisa; que aquele cara encrenqueiro, que fala alto, vira o cara-encrenqueiro-que-fala-alto da sua vida.
Entre tanta tempestade seguida de momentos de calmaria, vamos nos reinventando e seguindo cada dia melhores; entre todas as tempestades e incertezas a respeito do amanhã, a certeza do que queremos e enfrentaremos juntos, pois somos melhores assim. 


E se talvez, há alguns meses atrás, essa seria uma postagem a respeito das nossas limitações, hoje ela se torna a aberta das nossas possibilidades; e tudo que preciso dizer é obrigada(!), à você e à vida.





sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

“Um dia, perguntei para o psiquiatra: sou bipolar? Ele me disse: de bipolar você não tem nada. Você é sincera e tem sentimentos intensos. E me explicou a origem da palavra sincera, que vem do latim e significa “sem cera”. Antigamente, carpinteiros e escultores usavam cera para disfarçar os defeitinhos de esculturas e móveis de madeira. Então, eles lixavam, passavam verniz e tudo ficava aparentemente perfeito e em ordem. O aspecto das peças era magnífico. Com o passar do tempo, do frio, calor e uso, a cera ia se desmanchando e os defeitos iam ganhando vida. Sinceridade é “sem cera”, ou seja, sem máscaras, sem retoques, sem querer ser o que não é. Achei bonita a explicação dele. E triste. Dói ser “sem cera.” (Clarissa Corrêa)

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

"(...Nesse momento, você só tem duas opções: Ou se ferra ou se fode. Não há saída. Se você desistir, sair correndo, nunca mais telefonar, olhar perfil do facebook, nem chamar no whats e coisa e tal, vai ficar se perguntando O RESTO DA VIDA como poderia ter sido se tivesse arriscado. Se optar por aproveitar cada instante ao lado daquele ser que surgiu de repente e mudou sua percepção das coisas, prepare-se: Você vai amar e sofrer como nunca!

É inevitável. O prazo de validade aumenta o fogo da paixão. Abrevia o que poderia perdurar. Não há tempo para refletir, é preciso descobrir. Mais do que o implacável relógio, o seu corpo pede rapidez. Seu instinto cria uma necessidade de saciar todo o desejo, antes de ficar com fome outra vez.(...) 

(...) Sentimento com prazo de validade é assim, intenso, visceral, dolorido, mas será pra sempre a demonstração mais pura da sua vontade por ser feliz.(...)"

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

"O que eu gosto é desse seu jeito que não me deixa saber o que esperar de você. Da promessa que você não faz e nem precisa fazer. O que eu gosto é desse silencio pra falar de amor, sentimento que você demonstra todo dia. Da sua voz rouca, seu jeito insubmisso e sua maneira de me olhar. O que eu gosto é de medir nossas mãos e sempre rirmos por minha mão ser tão menor que a sua. De te abraçar e querer que o tempo passe devagar. De ver essa sua vontade de estar por perto, mesmo que só pra implicar com meu time e me irritar. Eu gosto é dessa despedida com certeza da sua volta. Desse seu jeito de não saber se cuidar e ainda assim querer cuidar dos que estão ao seu redor. Quando demonstra felicidade por estar comigo, quando me mostra seu lado medroso, esse que ainda tem umas feridas do passado. Quando tenta ser forte por mim, pra me ajudar a olhar pra dor e sorrir. Me faz bem. Depois de chorar por tantas promessas vazias, eu vi em você a beleza da certeza sem palavras. Essa que não precisa de um monte de orações hiperbólicas ou adjetivos bonitos. Eu gosto. É simples. Gosto. Verbo transitivo. O complemento é você."
- A menina e o violão.

domingo, 24 de agosto de 2014

Mulher abusada

"(...) Quando tu tiveres a oportunidade rara de tê-la na cama e na tua vida, seja homem! Porque de tanto conhecer macaco e cachorro, a danada decidiu bater as asas e voar por aí."

Mulher abusada

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

"Tenho a impressão de ter atingido o auge da minha maturidade, mas não tenho espaço físico ou moral pra existir nessa condição. Estou pronta pra largar tudo pra trás todos os dias, mas algo finca meus pés no chão sem aviso prévio." (Verônica Heiss)