segunda-feira, 17 de março de 2008


Conheceram-se por acaso (por mais que ela não acreditasse em acasos, aquela foi a única definição coerente para a situação) em uma gélida noite regada a casacos e meias grossas; gentilezas, boas intenções (era no que ela preferia acreditar) e cavalheirismos a parte, o "acaso" teria tudo - ou quase tudo - para ter se tornado o melhor dos acasos, e fazer com que ela passasse a acreditar em acaso como algo, no mínimo, promissor; não fosse o fato de mentiras e omissões fazerem, além do vinho, parte do jantar e do sexo (maravilhoso) que sobreveio.

No dia seguinte, confissões tornam o "acaso" a coisa mais decepcionante pela qual passara ultimamente, a noite de fabulosos desempenhos seguidos por orgasmos extasiantes (nunca passou pela sua cabeça que sexo com um estranho poderia ser algo tão gratificante) caira por terra assim que da boca dele saíram aquelas 3 ou 4 palavras tão significativas, que ela em momento algum pensou ouvir daquela boca que horas atrás a fizera querer que o mundo parasse (há tempos não sentia tão bem como quando esteve com ele naquele quarto).

Não sabia distinguir os pensamentos, ao mesmo tempo em que uma repulsa enorme tomava conta, as lembranças e uma certa expectativa a faziam sentir-se confortada; decidiu então, levar o acaso adiante, e que fosse o que Deus quisesse, já não tinha nada a perder mesmo, decidiu dar a cara a tapa... mais uma vez!!!

Seria uma bela história com um final feliz, não fosse o caso de, em certo momento, ela dar-se conta de que aquilo ali já não lhe agradava mais... sexo, palavras e expectativas irreais já não eram belos quanto foram uma vez; ele sente muito, ela também, e decide por fim ao acaso que parecia ter futuro.

Depois disso, porres todos os dias, beijos em bocas sem gosto, sexo por distração, noites em claro (dessa vez por tristeza), desgosto e descaso como fatores principais na maior parte de suas relações.
Ela repensa sua vida e vê que nada naquilo lhe pertence, nunca lhe pertenceu, por que então sofrer tanto por algo que nunca lhe foi concebido? Decidiu que aquele seria o último dia no qual aquelas lembranças tomariam seu tempo, não tinha mais tempo a perder com o passado, muito menos com o que havia acabado; aquele seria o dia no qual tudo do “acaso” seria jogado no inconsciente; deitou em sua cama, ouviu músicas tristes, mas por ironia nenhuma lágrima caira de seus olhos; se tivesse que chorar, lembrar de alguma coisa, aquele ali seria o momento, pois no outro dia não haveriam chororôs, lamentos nem saudades, tudo seria esquecido no momento em que acordasse... não sentia mais aquele sentimento lindo de antigamente, nem raiva, sentia total indiferença por aquele que até então era o homem de sua vida.

Ela percebeu que poderia SIM ser feliz sem ele, chegou até ele e largou um “Acho melhor deixarmos tudo isso pra lá” com ares de superior que só uma mulher pra entender o quão doce aquelas palavras lhe soaram aos ouvidos. E esse dia foi ontem!

;)

Nenhum comentário: